A base do projetar

Projetos nascem da intenção. Nascem do desejo de transformação. Da necessidade de adequação. Nascem da vontade, do sonho, da fantasia. De alguém. Uma pessoa real. 

O primeiro a sonha é sempre o outro. Aquele que demanda. O que solicita. O cliente. 

Nós somos convidados a participar do sonho de alguém. Mais que isso: a nós é atribuída a responsabilidade de materializar esse sonho. A responsabilidade de projetar. 

Sonhos nem sempre são simples Não precisam ser racionais, lógicos ou coerentes. Nem sempre são facilmente traduzíveis em palavras, em linguagem verbal articulada. Mas isso não é um problema, muito pelo contrário: é a matéria prima dos projetos mais interessantes. 

Mas, projetar é querer. É saber querer. E saber compreender o querer do outro. O limite de cada projeto é a capacidade de querer de quem o desenvolveu. 

Interpretações rasas dos sonhos alheios geram projetos rasos, projetos de superfície. Se, por exemplo, nosso querer se resume à estética ou à linguagem, é tudo que poderemos entregar. 

Mas, quando nosso querer é resultado de interpretação profunda dos desejos e motivações daquele a quem o projeto se destina, da compreensão do não dito, do indizível, do contraditório, do pessoal; quando nosso querer está a serviço da complexidade do querer do outro, as coisas mudam. E o projeto passa a oferecer o que é desejado, mesmo que não solicitado. O que está abaixo da superfície. A experiência. 

Paisagismo não é jardinagem. 

Anterior
Anterior

Percebemos sem saber

Próximo
Próximo

O sentido e a razão