Centelha mágica

A criatividade é uma maneira de abordar o mundo. De olhar. De intervir. De aprender.

O trabalho criativo pode até parecer fruto de uma centelha mágica, mas não é bem assim. É resultado de aprendizado. De treinamento. De olhar e aprender a ver.

É começar a ver o que os outros não vêem. É enxergar além, perceber padrões e estruturas, fazer correlações. Testar. Observar. É fazer da experiência cotidiana, de momentos comuns e banais, oportunidades de aprendizado. É desenvolver um olhar atento para o mundo, consciente, mas aberto e livre (e isso é profundamente diferente de buscar referências objetivas para resolver um problema da forma que os outros já resolveram).

O olhar contínuo e consciente para o mundo permite a acumulação de informações e possibilidades não necessariamente conectadas entre si. 

É um vocabulário, com palavras que serão lembradas e usadas quando houver a necessidade ou possibilidade. E que ficarão lá, guardadas em um recanto da mente à espera de oportunidade.

Perceber a oportunidade também é um gesto criativo. E também se desenvolve: é fruto da capacidade de leitura e de interpretação da realidade. Fruto da capacidade de reconhecer, no mundo real, um conjunto de características e situações que favorecem uma abordagem específica. Da capacidade de interpretar e associar conhecimento com oportunidade.

No paisagismo, muita gente foca atenção a formar um repertório amplo de plantas e materiais. Essa é a parte mais fácil de encontrar informações. É útil, mas não suficiente.. 

O que faz diferença na ação criativa e na capacidade de transformação é o repertório espacial. A capacidade de reconhecer como o espaço interfere na percepção e no comportamento das pessoas e encontrar oportunidades de criar a partir disso. 

É mais profundo. 

É mais transformador.

Paisagismo não é jardinagem.

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