Contexto e entorno

Todo terreno existe em algum lugar.

Tem topografia. Tem vizinhos. Tem história.

Tem vistas.

É visto.

Seu entorno tem eixos.

Tem direções preferenciais.

Tem fluxos.

Tem aberturas.

Tem opacidades.

Todo projeto é uma intervenção em um contexto preexistente - estruturado por eixos, vistas, fluxos e percepções - em vazios delimitados em diferentes proporções, por transparências, que ocultam, revelam e conectam.

Todo projeto existe na paisagem.

Interfere em suas narrativas, identidade e significado. Modifica e é modificado por ela. Muito do que está além dos limites físicos de nossa área de intervenção a contamina e é contaminado por ela.

A casa do vizinho. A pracinha do outro lado da rua. A vista longínqua para o mar. A avenida movimentada. A forma com que as pessoas se deslocam, se aproximam e se localizam.

São dados da realidade material e simbólica.

O que “é” e que vai nos ensinar a fazer “o que será”, fonte de saber e inspiração para criar espaços que dialoguem com o entorno e enriqueçam a experiência de quem os habita.

Paisagismo não é um ato isolado.

Arquitetura não é um ato isolado.

Existe em um diálogo permanente com a paisagem.

Projetar vai muito além de ocupar com uma edificação um espaço vazio delimitado, um retângulo cercado por um muro. Projetar é interferir na paisagem e se deixar contaminar por ela.

Cabe a nós saber perceber.

Saber sempre interferir nessa conversa de forma oportuna e inteligente.

Paisagismo não é jardinagem.

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