O vazio e a experiência

É impressionante como o vazio é subestimado na estruturação de projetos. O que mais se vê é um pensamento onde o cheio, os objetos, as superfícies, dominam. 

O pensamento parece ser o de ocupar vazios. Pode até ser com técnica, com critério ambiental e estético. Mas é como se o vazio fosse a sobra, o que precisa ser preenchido. 

Não acredito nisso. 

O vazio é o espaço que nos cabe, onde podemos existir. O vazio não é o que sobra. O vazio é o que há. O vazio é o que importa. O vazio é a razão de ser de qualquer projeto para pessoas. 

Não projetamos paredes. Projetamos salas, quartos, corredores... O que está entre as paredes - ou entre as plantas. Projetamos o que não é parede. O que é habitável. Os vazios. 

Paredes são apenas ferramentas para ordenar vazios. 

Vemos as paredes, é verdade. 

Mas percebemos vazios. 

Inconscientemente. 

Por isso é tão poderoso. 

Paisagismo não é jardinagem. 

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