Sobre lugares
É curioso pensar que lugares não existem no mundo físico. Viajamos para lugares, visitamos lugares, reconhecemos lugares. E ainda assim, lugares são imateriais.
Podem ser geograficamente localizados e depender de uma estrutura física para existir (ainda que possa haver lugares em nossos sonhos também). Mas a estrutura física, tangível, material, mensurável não é o lugar. É só o espaço.
O lugar é uma entidade emergente, uma leitura interpretativa, um reconhecimento simbólico, uma forma de perceber, sentir e narrar. Espaço e lugar podem até coexistir, mas não são equivalentes.
Ter clareza do quão distintos são espaços e lugares, nos permite projetar melhor. Porque nos permite projetar para pessoas. Permite projetar a narrativa, a compreensão, o sentimento. Permite interferir na maneira de perceber e se comportar. Permite reconstruir a camada da realidade que efetivamente habitamos: que é a realidade que percebemos.
Ainda que possam ser feitos de coisas, e com coisas, os lugares não são as coisas em si. São o que ocorre entre elas. São as propriedades que emergem da relação percebida. São as conexões que são criadas em nossa mente. São a experiência que sentimos, narramos e lembramos.
Projetamos lugares.
Porque projetamos para pessoas.
Paisagismo não é jardinagem.