Projetar é mais que se expressar. É servir.

A gente acredita, sem pensar muito, que projeto é uma forma de expressão pessoal. Criativa. Um modo de dizer quem a gente é. Uma assinatura. Um gesto que carrega a marca de quem o fez.  É verdade. E também não é.

Perseguir a marca pessoal, a distinção pela originalidade forçada, a formalização de um estilo como forma de se identificar, pode nos aproximar mais de uma caricatura do que de uma marca.

Mas projetar não é impor. É ouvir.

Projetar é servir. Servir uma pessoa, uma família, um lugar, uma vida. É reconhecer que tem alguém do outro lado da prancheta — alguém que vai morar ali, criar filho ali, envelhecer ali, abrir a janela de manhã e olhar pra fora.

Servir é dedicar a essa pessoa o que a gente sabe, o que a gente acumulou, o que a gente filtrou em anos de prática. É não achar que o mundo gravita ao redor de si mesmo. É uma das coisas mais dignas que alguém pode fazer pelo outro.

Servir.

Paradoxalmente, se você se entrega assim, com tudo o que você é a serviço de quem está do outro lado — com reconhecimento, com escuta legítima, com filtro, com opinião, com posição — sua marca aparece. Não porque você quis. Não como assinatura intencional. Como consequência. Como a forma particular que você tem de estar inteiro pelo outro.

Estilo não é o que você inventa. Estilo é o que os outros reconhecem em você. Você não tem estilo quando inventa, ou sustenta um maneirismo. Você tem estilo quando os outros começam a te reconhecer. E só te reconhecem quando você é, de fato, você mesmo.

Por isso o melhor projetista não é o que mais se empenha em ser expressivo. É o que serve melhor — porque é nele que o outro encontra escuta. E é exatamente nele, sem que ele tenha buscado, que aparece a autoria mais genuína. Com todo seu conhecimento. Todo seu repertório.

A serviço do outro.
Para pessoas.
Com plantas.
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