Vazio é o que você projeta?

Vazio é o que você projeta?

Ou vazio é o que sobra entre as coisas que você projeta?

É uma pergunta que faço com frequência para profissionais de paisagismo. E raramente a pessoa está preparada para ouvi-la.

Não porque a resposta seja difícil. Mas porque a pergunta, quando levada a sério, revela uma inversão que a maioria de nós nunca foi ensinada a fazer.

A formação em paisagismo — em quase todos os lugares — começa pelos elementos. Pelas plantas. Pelos materiais. Pela paleta. E o espaço, nessa lógica, é o que sobra depois que tudo isso é distribuído. É o intervalo entre as coisas. O fundo sobre o qual a figura se destaca.

Só que as pessoas não habitam as figuras.

Elas habitam o fundo.

Elas caminham pelo intervalo, param no intervalo, conversam no intervalo, sentem o espaço no intervalo. E se esse intervalo foi pensado como sobra, ele vai se comportar como sobra — mesmo que as plantas ao redor sejam impecáveis.

Projetar o vazio não é uma abstração filosófica. É uma decisão metodológica. É escolher começar pelo que as pessoas vão de fato ocupar, antes de escolher o que vai delimitar esse espaço.

É uma inversão pequena no processo.

E uma inversão enorme no resultado.

Paisagismo não é jardinagem.

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