A beleza está em nós.

Coisas bonitas não fazem um projeto bonito.

Seria muito mais fácil se fizessem.

Se a beleza morasse na cor da flor, no veio da madeira, no desenho da cadeira, bastaria saber escolher coisas que a carregassem consigo para o nosso projeto. Como se fosse um atributo físico que a gente pudesse comprar, especificar e instalar no espaço.

Não é.

A beleza não é um objeto.

A beleza é um acontecimento.

Ela não está exatamente nas coisas. Surge quando o corpo encontra uma determinada organização do espaço.

A beleza está em nós.

Em nosso reconhecimento.

Em nossa conexão.

O que nos toca nunca é um elemento isolado. É a experiência do conjunto. É de onde estamos olhando. É como percebemos. É como sentimos. É o como.

A beleza é relacional.

Ela acontece entre quem olha e o que é olhado. Na maneira como essas relações se organizam no espaço.

Não basta colecionar “coisas bonitas” e distribuí-las pelo terreno. Projetar é organizar relações — de proporção, de ritmo, de contraste — para conduzir a percepção e sensibilizar as pessoas.

Não projetamos a beleza.

Projetamos as condições para que ela aconteça.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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Onde está a beleza?