A gente não projeta o jardim

A gente desenha um caminho, mas o que a gente projeta é a vontade de atravessar.

A gente emoldura uma vista, mas o que a gente projeta é a vontade de olhar.

A gente oculta um trecho do terreno, mas o que a gente projeta é a vontade de explorar.

A gente especifica um banco sob a sombra, mas o que a gente projeta é a vontade de pausar.

E no fim de tudo, o que a gente projeta é a vontade de retornar.

A parte mais bonita de um projeto não está na organização da matéria.

O que podemos fazer de mais relevante é nos comunicar com as pessoas. Despertando vontades, sem palavras.

E nenhuma dessas vontades nasce do nada, por acaso.

Elas são respostas do corpo ao espaço.

Elas emergem das relações que a gente pode criar entre luz e sombra, eixos e conexões, ritmos e pausas, convites e limites. No vazio.

Se o espaço não desperta nada, ele é apenas um cenário. Pode render uma foto linda, mas não segura ninguém.

A matéria é instrumento. O alvo são as pessoas. E a estrutura está no vazio.

É ali que a vida se instala.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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