Projetar experiências
A gente muitas vezes diz: "neste ambiente, eu criei uma experiência de relaxamento". "Aqui, eu desenhei uma jornada de contemplação".
Como se a experiência fosse algo que a gente pudesse fabricar na prancheta, embalar e entregar pronto.
Mas a verdade é que a gente não cria experiência nenhuma.
A experiência não está no desenho. Ela não está na lista de plantas ou no caderno de especificações. Ela pertence a quem vive o espaço. Ela acontece no corpo do outro, de forma instantânea.
O que a gente faz é preparar o terreno. É estruturar o espaço de tal forma que, quando a pessoa chegar, o corpo dela encontre e reconheça automaticamente as condições para que aquela experiência emerja.
Você não projeta o relaxamento. Você projeta a proteção nas costas, a luz filtrada, a distância confortável do movimento. O relaxamento é a resposta do corpo a essa coerência.
Aceitar que a experiência não nasce no papel não diminui o nosso papel. Pelo contrário.
Nos liberta da ideia de que basta escolher os materiais certos para garantir uma sensação. E nos atribui a responsabilidade de compreender que pouco adianta escolher elemento por elemento, quando o efeito acontece no conjunto.
E o conjunto se monta no outro.
No corpo do outro.
Na vida do outro.
Na experiência do outro.
Não no projeto.
Nosso trabalho é estruturar o vazio com tanta precisão e cuidado que, quando alguém chegar ali, o espaço ofereça as condições certas para que a experiência simplesmente aconteça.
Para pessoas. Com plantas.
Paisagismo não é jardinagem.