Deixe as plantas para depois
Começar um projeto pelas plantas parece natural.
Afinal, são elas que aparecem. As cores, os volumes, as texturas. É nelas que o olhar costuma pousar primeiro. E é o que se solicita ao paisagista.
Mas a planta, sozinha, não organiza a experiência.
Antes da planta certa no lugar certo, existem outras decisões que podem ser tomadas.
Que lugar será esse?
Como as pessoas devem percebê-lo?
Que tipo de emoção deve provocar e que tipo de reação gostaríamos de obter? Que tipo de relação deve se estabelecer com a arquitetura? E com a paisagem? Afinal, o que aquele espaço pode fazer pelas pessoas?
É essa camada invisível — a camada dos vazios, das relações, dos fluxos e proporções — que dá sentido ao restante.
Quando ela existe, a planta deixa de funcionar como ornamento. Ela passa a estruturar o espaço e a maneira como viveremos nele. A sombra cai onde alguém vai querer parar. O volume direciona o olhar. A transparência cria profundidade. O vazio ganha intenção.
As plantas vêm em seguida. Materializam, organizam, configuram - enriquecem, equilibram e, por que não, ornamentam. Especificar plantas a serviço de uma configuração espacial, de uma estrutura experiencial, nos liberta. Nos liberta das regras de estilos pré-determinados. Nos liberta das modas e das especificações clichê. Nos liberta para escolher o mais adequado ambientalmente, economicamente e visualmente.
Com plantas. Para pessoas.
Paisagismo não é jardinagem.