Arquitetura é parte de paisagem

Todo edifício se instala em um espaço que já existia antes dele. Um campo atravessado por distâncias, inclinações, direções, acessos, visadas, fluxos, vizinhanças e horizontes. Um espaço que já oferecia aproximações, separações, aberturas, contenções, possibilidades de passagem e de permanência. Ao ser construída, a edificação ocupa uma porção desse campo e transforma as relações que já estavam em curso.

O contexto participa da percepção do edifício. Cria relações com a fachada, permite ou impede certas visadas, aproxima ou prolonga o acesso, estabelece a escala da chegada, enquadra, esconde, revela ou prolonga sua presença. A edificação existe em relação a esse espaço que a circunda. É por meio dele que será encontrada, compreendida, atravessada e lembrada.

O campo espacial atravessa exterior e interior, continuamente. Muda de condição, de matéria, de exposição, de temperatura, de recursos construtivos, de uso e de função. A experiência, porém, se mantém conectada em um mesmo fluxo. Por onde seguir, onde olhar, quando parar, o que se anuncia, o que se revela, o que protege, o que aproxima e o que mantém à distância continuam sendo questões espaciais.

Projetar o exterior não se resume a especificar vegetação para a porção do lote que não foi ocupada pela edificação. Implantação, acesso, distância entre volumes, abertura, transição, sombra, continuidade e visibilidade são decisões que estruturam o espaço livre, o articulam ao contexto e à edificação, favorecem percepções, percursos e maneiras de ocupá-lo.

Arquitetura é parte da paisagem. E tem responsabilidade sobre ela.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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