Comportamento é percepção

Comportamento é percepção. É resultante da percepção.

Percebemos e reagimos ao mundo antes de compreendê-lo.

Somos bombardeados por estímulos sensoriais incessantemente. Imagens, sons, aromas, sensações táteis na pele, nos pés. Esse fluxo de informações chega o tempo todo ao cérebro, independentemente de nosso desejo ou consciência. Precisamos saber onde estamos, se estamos seguros ou há risco, definir o próximo movimento. Para sobreviver.

Essa rota tem saída? O pé encontra apoio firme? Estamos expostos ou sendo observados? Conseguimos observar? O que nos chega pelos olhos? Pelos ouvidos? Pelas narinas? Pela pele?

O cérebro hierarquiza, filtra, procura coerência e sentido, antecipa o próximo instante e coloca o corpo em alerta ou relaxamento. Desloca a atenção, o olhar, destaca figuras, borra fundos. E reagimos. Instantaneamente. Não à materialidade do mundo físico. Mas à forma como o percebemos.

Antes de saber. 

Antes de pensar.

 Sem saber explicar.

A realidade que reconhecemos e à qual reagimos é a realidade que somos capazes de perceber. Na nossa experiência vivida, o mundo real é o mundo percebido.

Todas nossas escolhas, nossas decisões, nossos menores movimentos dependem desse sistema para obterem êxito. Viver é estar imerso no mundo percebido.

Projetar é dar coerência a essa imersão. É organizar a percepção. Coordenar sensações e emoções. Tornar legíveis formas de perceber para estimular escolhas e compreensões. É narrar sem palavras direto ao inconsciente.

Projetar não é acrescentar coisas ao mundo.

É decidir como ele será percebido.  

Paisagismo não é jardinagem.

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