Você sabe querer?
Você sabe querer? Você sabe o que pode querer de um projeto?
O quanto pode querer?
O projeto é só uma ferramenta que conduz o que é ao que será.
O que é depende de nossa capacidade de ler e analisar pessoas e lugares.
O que será depende de nossa capacidade de querer.
Se fizermos tudo direitinho, conseguimos fazer que nosso projeto realize aquilo que desejamos ao concebê-lo.
Mas o que podemos desejar?
Quase sempre focamos em ganhos incrementais. O que será tem melhores atributos do que o que já é. Teremos mais conforto? Sim. Teremos mais sustentabilidade? Também. Teremos mais beleza? Com certeza. Entregaremos ao usuário um lugar melhor, um incremento real da qualidade do lugar pré-existente.
Mas isso é só uma parte. Importante, sem dúvida, mas qualificar não corresponde necessariamente a transformar. A recriar. A reinventar a realidade. Podemos mais que qualificar: podemos transformar.
Para transformar é preciso querer. Querer transformar estruturalmente o espaço. Criar novos lugares que não existiriam sem nossa intervenção. Conduzir a percepção para criar sensações, emoções e narrativas. Estimular movimentos e pausas. Estabelecer ritmos. Fazer convites, direcionar olhares, modificar compreensões. Interferir no comportamento. Conectar, desconectar; ampliar, diminuir. Produzir reconhecimento e identidade. Estimular a memória com o inesperado. Prometer. Entregar.
Sem palavras.
Com o espaço.
Com a percepção.
Com o inconsciente.
Paisagismo não é jardinagem.