Do que é feito um projeto?
A gente costuma acreditar que a parte mais importante de um projeto é aquela que a gente consegue ver. Aquela que a gente mede e especifica na planta. Descreve no memorial.
E fotografa no final.
Plantas, pisos, muros, pergolados.
A matéria.
Mas, contrariando a nossa intuição, a matéria não é a essência de um projeto. Ela é apenas o seu limite. Sua face visível.
A parte mais importante - a que realmente define como as pessoas vão se sentir e se comportar naquele ambiente - é exatamente aquela que não pode ser tocada.
É o que está entre as coisas.
É o vazio.
O vazio não é ausência. O vazio é a possibilidade da experiência.
É no vazio que a gente caminha, que a gente pausa, que a gente conversa. É só no vazio que a gente vive.
A matéria serve para dar forma a esse vazio, organizar limites, proporções e conexões. Para protegê-lo ou para expô-lo.
Assumir a potência do vazio muda a forma de projetar.
A missão deixa de ser organizar objetos em um espaço pré-determinado e passa a ser estruturar relações espaciais. Paramos de pensar como especificadores de coisas e passamos a agir como projetistas de experiências.
Porque a matéria-prima real do paisagismo, se pensado para as pessoas, não é a planta. É o espaço habitável. E a maneira como ele nos afeta.
Projetar para as pessoas é projetar o imaterial. É interferir na sua maneira de perceber e de se comportar. É reconstruir a camada de realidade que a gente habita - porque a realidade que a gente conhece é aquela que a gente percebe.
Projetar a forma de perceber é recriar a realidade.
Para pessoas. Com plantas.
Paisagismo não é jardinagem.