O todo é diferente das partes

Se a percepção operasse de forma linear, tudo seria mais simples.

Para gerar tensão, bastaria adicionar elementos tensionantes.

Para relaxar, elementos relaxantes.

Para estimular, objetos estimulantes.

Para impor, elementos imponentes.

Simples e direto.

Mas não funciona assim.

A experiência não está nos objetos.

Está em nós.

Ela resulta — de maneira instantânea e sem interferência da nossa consciência — das relações percebidas. Do conjunto. E com o contexto.

Não são os “quês”: atributos dos elementos ou objetos. Não são as formas, cores, texturas, superfícies e acabamentos isoladamente.

São os comos. A rede invisível de relações. A coerência lida pelo nosso sistema perceptivo. A parte que sequer existe e completamos mentalmente. A parte que desprezamos, porque não se encaixa facilmente.

A experiência é um fenômeno que acontece dentro de nós. Sem o nosso controle. À revelia do nosso desejo.

Ela é instantânea.

Ela é pré-consciente.

Ela é multissensorial.

Ela é simplificadora.

Ela é a leitura que fazemos do mundo.

Ela é a realidade vivida.

Projetar para as pessoas é compreender a experiência como fenômeno e produzir a coerência perceptiva que a favorece.

Intencionalmente. 

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