Entender o cliente.

O cliente não precisa saber de projeto.

A gente é que precisa entender de gente.

O maior risco ao projetarmos não é saber pouco.

É achar que já sabemos o suficiente.

A gente aprende a ler espaços. Aprende a resolver problemas. Sabe de composição, de estética, de plantas, de materiais. Conhece técnicas, processos e estratégias. Tem referências e repertório.

E, aos poucos, corre o risco de acreditar que o projeto está sob controle.

Mas existe uma coisa que nenhum repertório técnico consegue nos dizer:

Quem é a pessoa que vai viver ali?

E dessa pessoa, a gente não sabe nada.

A gente não sabe como ela acorda. O que ela faz quando quer descansar de verdade. O que a incomoda sem que ela consiga nomear. O que ela nunca teve e sempre quis. O que ela tem e vai sentir falta quando não tiver mais.

A gente chega ao projeto convicto do próprio repertório.

E é exatamente essa convicção que nos cega.

Porque o nosso repertório, sozinho, não basta.

A gente também precisa aprender o repertório do cliente.

A vida dele.

Os ritmos dele.

As contradições dele.

Só ele tem essas respostas.

E elas não estão em nenhum briefing padrão.

Estão numa conversa que a gente ainda não teve.

Aqui está a inversão que define o projeto:

A gente é especialista em espaço.

O cliente é especialista na própria vida.

E o projeto só existe na interseção dos dois.

Sem o nosso conhecimento, não há solução espacial.

Sem o conhecimento dele, não há problema real a resolver.

O projeto começa de verdade quando a gente troca a necessidade de demonstrar o que sabe pela disposição de descobrir o que não sabe.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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O espaço fala. A gente entende.