O que a gente vê

Quando você tenta explicar um lugar que te marcou, você fala das coisas que você gostou.

Fala das flores, das árvores, dos caminhos.

Das cores, das texturas, dos materiais.

Do que você achou bonito.

A gente narra o visível.

Mas o impulso de contar não nasceu das flores.

Nem das árvores.

Nem dos materiais.

Nasceu do encantamento.

E o encantamento não estava exatamente em nenhuma dessas coisas.

Estava na forma como elas se encontravam.

Na forma como se revelavam.

Na forma como você as percebeu.

A gente descreve o que viu.

Mas só sente vontade de descrever porque sentiu alguma coisa antes.

Existe uma contaminação inevitável entre experiência e narrativa..

É o que você sentiu que dita o brilho no olho, o ritmo da fala, a vontade de fazer o outro entender.

A vontade de ficar.

A vontade de voltar.

A experiência muda o jeito que a gente narra o mundo.

Você acha que está contando sobre as coisas.

Mas está tentando contar sobre o que elas fizeram com você.

E talvez seja por isso que os lugares mais marcantes sejam tão difíceis de explicar.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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Entender o cliente.