Experiência
A experiência é um fenômeno emergente. É o resultado da interação complexa de uma série de impulsos sensoriais, filtrados pela percepção e sintetizados pela mente. Somente após esse processo — e só então — ela é interpretada, qualificada e nomeada, ao emergir na consciência.
É um fenômeno incrível, e, ao mesmo tempo, banal. Acontece o tempo todo, com todos nós. Vivemos imersos em um mundo saturado de estímulos e sinais. De forma automática, eles são filtrados, organizados e agrupados para ganhar um sentido. Esse "sentido" é o mundo que conhecemos e descrevemos.
O que frequentemente ignoramos é que o significado, a identidade e grande parte do que percebemos como características físicas do entorno não estão lá fisicamente. São apenas o resultado da nossa interpretação interna.
As medidas nos fornecem pistas, parâmetros e ferramentas de aferição. Mas elas não correspondem à experiência.
Para a experiência vivida, pouco importa a metragem quadrada exata. Importa se o espaço é sentido como "grande" ou "pequeno", "alto" ou "baixo", "largo" ou "estreito". E isso é apenas o começo do que se pode tentar mensurar.
Mas e o restante?
Se é convidativo ou hospitaleiro, estimulante ou imponente, relaxante ou surpreendente. Reconhecível, original, especial. Ou vulgar, ou sofisticado. Limitador, intimidador. Libertador. Bonito.
Nada disso possui métricas próprias. Nem poderia ter. Nada que confira personalidade, significado ou identidade pode ser medido.
Mas tudo pode ser, invariavelmente, sentido.
Projetar lugares é projetar as leituras do mundo.
Paisagismo não é jardinagem.