Percepção
Existir no mundo é se relacionar com ele. É ser afetado por ele.
Não há neutralidade.
Espaços não são neutros. Não podem ser, mesmo que queiramos. Mesmo
que tentemos. Mesmo que sejam descritos assim.
Estamos imersos no espaço.
Fisicamente. E sensorialmente.
Sentimos.
Percebemos.
Modificamos nosso comportamento.
Mesmo sem perceber.
Mesmo sem querer.
Percebemos limites e conexões, transparências e opacidade, eixos e direções. Ritmos.
Percebemos proporções. Distâncias e alturas que não correspondem às que poderiam ser medidas. Mas que são sentidas.
Percebemos intensidades luminosas, sombras e reflexões.
Percebemos o ruído dos nossos pés, dos pés dos outros. Ruídos de fala, animais, máquinas, vento... Sabemos das dimensões do ambiente e da proximidade das paredes pela reverberação do som.
Sentimos a aspereza ou suavidade, a rigidez ou maciez do piso. A estabilidade e a inclinação. Sentimos o fluxo de ar, o vento, as mudanças de temperatura e umidade.
Percebemos tudo ao mesmo tempo. Com todo o corpo. Como um conjunto coerente, em que cada fator interfere na percepção de todos os outros.
Percebemos antes de saber.
Sabemos antes de explicar.
É automático.
É contínuo.
É integrado.
É incontrolável.
É inconsciente.
Projetar para pessoas é projetar percepções.
Paisagismo não é jardinagem.