O lugar é uma potência do espaço.
Tem lugares que a gente nunca mais esquece.
Não exatamente porque tinham coisas bonitas.
Não porque eram caros, bem iluminados ou cheios de plantas bem escolhidas.
Mas porque fizeram alguma coisa com a gente, nos tocaram. Nos marcaram.
A gente não sabe exatamente o porquê, mas sabe que queria ficar.
Sabe que queria voltar. Sabe que explica onde esteve, explica o que sentiu. Conta o que viu.
Mas sabe também que as palavras não explicam tudo.
Esse é o lugar.
Lugar não é o espaço. Mas depende do espaço para existir.
O espaço é a matéria e traz consigo as possibilidades, a potência de se fazer lugar.
O lugar é diferente. O lugar depende da gente. O lugar acontece quando alguém encontra essa matéria organizada de uma determinada maneira. E percebe. E é tocado. E lembra.
Esse encontro não precisa ser completamente acidental. Podemos preparar suas condições.
Em sua configuração, escolhemos e inserimos possibilidades.
Possibilidades de acolhimento.
De descoberta.
De encontro.
De permanência.
De contemplação.
Damos forma ao espaço para que essas possibilidades sejam lidas, e realizadas, e convertidas em experiências. Pelas pessoas.
A gente não projeta o lugar.
A gente projeta as condições para que ele aconteça.
Para pessoas. Com plantas.
Paisagismo não é jardinagem.