Para pessoas. Com plantas.

Há muitas formas de definir o paisagismo. Eu acredito que o critério último de um projeto paisagístico não está nas plantas que utiliza, na composição que constrói ou na técnica que emprega. Está no que ele produz nas pessoas.

A paisagem não existe sem as pessoas que a percebem. Não porque as árvores, os rios ou as montanhas dependam de nós para existir — eles existem independentemente. Mas a paisagem, enquanto paisagem, é uma construção perceptiva. É a leitura que fazemos do mundo ao nosso redor, filtrada pela nossa experiência, pela nossa cultura e pela nossa memória.

É justamente por isso que a paisagem pode carregar identidade, produzir pertencimento e gerar memórias de um lugar. Nada disso é uma propriedade física do território. São relações que se estabelecem entre as pessoas e o mundo que habitam.

Na escala da paisagem — na qual interferimos mesmo ao projetar pequenas áreas — projetar para pessoas significa compreender essas relações. Reconhecer que o projeto interfere na maneira como uma comunidade percebe, reconhece e se identifica com o lugar onde vive.

Na escala do espaço próximo — o jardim, a praça, o pátio, o recuo — projetar para pessoas significa criar possibilidades de ação, de permanência e de encontro. Organizar o vazio de maneira que cada um saiba onde está e o que fazer ali. Que o espaço conduza, acolha, oriente, convide. Que a experiência daquele lugar favoreça contemplação, movimento, convivência, descanso ou qualquer outra intenção que tenha orientado o projeto.

Claro que as plantas são um dos instrumentos mais poderosos de que dispomos para produzir essas relações.

Boa parte dos benefícios que buscamos por meio delas são, na verdade, benefícios para as pessoas. Elas contribuem para a identidade de uma paisagem, regulam o microclima, fazem sombra, ajudam na gestão das águas pluviais, contribuem para a biodiversidade, melhoram o conforto ambiental e favorecem o bem-estar. Quase sempre estamos falando da vida humana, mesmo quando nos ocupamos de descrever as plantas.

Por isso elas não são escolhidas apenas por suas características botânicas, ambientais ou estéticas, mas pelas relações que tornam possíveis: entre o corpo e o espaço, entre o espaço e a paisagem, entre as pessoas e o lugar que habitam.

Isso não significa que todos os projetos envolvendo vegetação tenham as pessoas como objeto principal.

Há situações em que o projeto é, efetivamente, para as plantas. A recuperação de uma área degradada, o restauro de uma mata ciliar, a produção de plantas ornamentais ou uma horta têm como preocupação imediata o desenvolvimento vegetal, a conservação do ecossistema ou a produtividade. As pessoas podem ser beneficiárias desses processos, mas não constituem seu objeto direto.

No paisagismo, as plantas realizam plenamente seu potencial quando deixam de ser consideradas como a finalidade do projeto e passam a ser compreendidas como instrumentos para construir relações entre as pessoas e o lugar. É dessas relações que nasce o vínculo. E é esse vínculo que sustenta sua permanência ao longo do tempo.

Uma praça arborizada, um parque, uma avenida ou um jardim permanecem porque alguém reconhece valor naquilo que existe ali. Porque as pessoas cuidam, defendem, preservam e incorporam aquela vegetação à sua vida. Quando esse vínculo não existe, a vegetação se torna frágil. Pode desaparecer na primeira reforma, na primeira mudança de uso ou na primeira decisão de que já não vale o esforço de ser mantida.

Mesmo os projetos ecologicamente mais consistentes dependem, em última instância, das pessoas. Seus benefícios ambientais, ecológicos, paisagísticos e culturais só permanecem enquanto o próprio projeto permanece existindo. E sua permanência depende da capacidade de construir vínculos entre a vegetação, o lugar e as pessoas.

Projetar para pessoas é construir vínculos.

Paisagismo não é jardinagem.

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