Permitir é função. Convidar é intenção.
O que se espera de um caminho é que ele permita caminhar.
De um banco, que ele permita sentar.
De um campo, que ele permita jogar.
Permitir é obrigação mínima.
É garantir as condições básicas de funcionamento, conforto e acessibilidade. É criar a possibilidade.
Mas possibilidade não é convite.
Quem quer visita convida.
Convidar é se relacionar com alguém.
É antecipar um desejo.
É fazer uma promessa.
Não é o banco que convida.
É a posição do banco em relação à luz.
Ao espaço.
Aos outros bancos.
Ao caminho.
À vista.
À proteção das costas.
À distância das outras pessoas.
Não é o caminho que convida.
É a forma como ele se apresenta.
Suas proporções.
O que promete.
O que revela.
O que esconde.
Para onde conduz, ou parece conduzir.
Não é o objeto.
É a relação.
Permitir depende da função.
Convidar depende da intenção.
E a intenção começa quando o projetista sabe quem está chamando, por que está chamando e para o que está chamando.
A diferença entre os dois não está nos materiais.
Está na decisão consciente de ir além da função.
Para pessoas. Com plantas.
Paisagismo não é jardinagem.