Projetar experiências?

Como é possível projetar uma experiência?

A intuição nos diz que a experiência é uma consequência do espaço. Que nós projetamos um jardim, escolhemos os elementos, e a sensação que ele transmite corresponde ao resultado final dessa soma.

A gente coloca uma fonte de água para acalmar. Uma planta perfumada para encantar. Um banco de madeira para acolher. Como se cada objeto carregasse um fragmento de emoção e, juntando todos eles, a gente conseguisse encher o copo da experiência.

Não é bem assim.

O nosso cérebro não funciona como uma conta de somar. Ele opera de forma relacional.

A experiência não é um acumulado de estímulos isolados. Ela é uma organização súbita. Ela emerge das relações. Independente da nossa vontade. Independente do nosso controle.

Não precisamos que a qualidade resida no objeto em si. Até porque ela não está no objeto. A mágica acontece quando as relações espaciais — a proporção dos vazios, a conexão com o entorno, a maneira como os elementos estruturam o espaço — ganham sentido e legibilidade.

Quando essas relações são coerentes, o corpo lê o ambiente de forma imediata, antes mesmo que a mente consiga formular uma opinião. E a experiência, simplesmente, acontece.

Por isso o invisível - as relações, as conexões e os vazios - merece mais atenção que os elementos em si, quando projetamos. Não acredito que nossa missão seja distribuir ou ordenar objetos bonitos esperando que eles gerem uma sensação.

Nossa missão é estruturar intencionalmente relações espaciais para favorecer a percepção. Não qualquer percepção. Aquela que escolhemos favorecer ao projetar.

Com plantas. Para pessoas.

Paisagismo não é jardinagem.

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