Tema não é conceito.

Muita gente acredita que o conceito de um projeto é uma ideia criativa.

Uma ação livre fruto da inspiração do projetista.

Que qualquer conceito bem aplicado serviria.

Eu acho que não.

Acho que conceito é uma descoberta.

Nasce de uma leitura. Do que o lugar pede, do que as pessoas precisam, do que o problema exige. Quando essa leitura acontece, o conceito deixa de ser uma escolha criativa e passa a ser a razão pela qual todas as outras escolhas existem

Porque, quando o conceito certo aparece, ele parece inevitável. Parece óbvio. Como se sempre tivesse estado ali, esperando para ser percebido.

É por isso que alguns espaços agem sobre nós com total sentido, mesmo quando nunca estivemos neles antes.

Não é uma questão de gosto. Não é necessariamente o estilo que nos agrada, nem a planta que reconhecemos, nem o revestimento que escolheríamos. É outra coisa. A reação a uma lógica invisível organizando tudo — o ritmo do percurso, a proporção dos vazios, os convites, os limites - o senso de estabilidade.

Isso é o conceito agindo.

Não como tema. Não como referência estética. Não como uma palavra escrita no memorial descritivo. O conceito de verdade não aparece aplicado ao projeto — ele é o projeto. É a razão pela qual cada decisão existe e não poderia ser outra. É o que faz com que o espaço tenha direção, intenção e coerência de forma que a mente não precise desvendar.

Quando o conceito é confundido com um tema decorativo o projeto vira um esforço constante de justificar escolhas que parecem coerentes, mas que não conversam entre si. Você passa o tempo todo tentando fazer as coisas se encaixarem. E o ruído permanece. Porque não há um centro de gravidade.

O conceito é o que permite que o projeto seja dele mesmo. Não uma versão de outro projeto. Não uma colagem de referências. Ele mesmo — irrepetível, nascido daquele lugar, para aquelas pessoas.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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