A realidade que você conhece

Você já entrou num espaço em que a planta dizia ser grande e se sentiu apertado assim mesmo?

Ou sentiu frio mesmo que o termômetro te contrariasse?

O dado estava lá. Mensurável, verificável, inegável.

E não mudou nada. O que te parecia pequeno seguiu sendo pequeno, mesmo com muitos metros quadrados.

Porque a realidade que importa para a experiência não é a realidade que a gente mede. É a realidade que a gente percebe. A realidade material pode ser medida, descrita, registrada e comparada, mas ela nunca chega até nós tal como é. É certamente útil para a ciência, mas insuficiente para a vivência.

Perceber não é simplesmente registrar o que existe. É selecionar, reorganizar e interpretar aquilo que chega pelos sentidos a partir da nossa história, da nossa memória, do nosso corpo e das nossas expectativas. Antes de pensar. Antes de saber. A despeito de saber.

Há sons que existem e que nunca vamos ouvir. Há frequências de luz que atravessam o espaço e que nossos olhos não alcançam. A realidade material é muito maior do que aquilo que conseguimos perceber. O que vivemos é em parte um recorte, em parte uma reorganização, uma criação simplificada. Uma das versões possíveis do mundo. A única versão à qual temos acesso.

Por isso projetar não é somente interferir no mundo físico. Não basta configurar o espaço.

Projetar é interferir na forma com que ele será percebido. Porque essa é a forma que ele será vivido.

Projetamos para pessoas.

Projetamos para a percepção.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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O que me perguntam?

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O lugar é uma potência do espaço.