Estilo não se inventa
Muita gente acha que só vai ter sucesso profissional se tiver uma "assinatura".
Nessa busca ansiosa por originalidade, tenta então inventar marcas artificiais, para obter efeito imediatamente. Repete formas, força o uso de certos materiais, cria maneirismos estéticos. Mas tentar ser diferente a todo custo tem muito mais chance de te deixar esquisito do que de te fazer original.
Assinatura não é causa. É consequência.
Você não precisa inventar a sua originalidade. A sua forma de olhar o mundo já é singular. Você tem uma história, uma cultura, um repertório. Tem valores, prioridades e uma maneira muito particular de ler o mundo. Só você pode ser você mesmo.
Quando você projeta com rigor e consciência, você não está tentando ser "diferente". Você está apenas fazendo o que é óbvio para você. O que você julga ser coerente, adequado, justo e bonito para aquele lugar. Para aquela pessoa.
Todo projeto é uma interpretação da realidade. E essa sua forma de ver o mundo - de resolver problemas, de hierarquizar prioridades, de tomar decisões - vai se repetir. Projeto após projeto. Sua assinatura não vai nascer da repetição estética artificial. Ela vai surgir naturalmente da consistência.
Você vai aplicar seu conhecimento com base nos seus valores. Vai estruturar o espaço a partir do que você acredita. E, de tanto fazer isso com legitimidade, a sua marca vai transparecer antes que você se dê conta.
Você provavelmente nem vai perceber, porque para você é só o jeito certo de fazer as coisas. As outras pessoas é que vão começar a reconhecer. A perceber nos projetos e nos espaços seu gesto, seu olhar, sua sensibilidade. Sua autoria.
Seja quem você é. Aja com consciência, escute o outro com sinceridade e faça bem feito.
O seu estilo é só a consequência de você estar inteiro no que faz.
Para pessoas. Com plantas.
Paisagismo não é jardinagem