Qual o tamanho das ideias que conseguimos ter?
Há possibilidades que não recusamos. Simplesmente ainda não conseguimos pensá-las.
Quando uma possibilidade ainda não entrou no pensamento, ela não é avaliada, recusada ou deixada para depois. Não há desejo, comparação ou escolha em relação ao que ainda não conseguimos conceber.
As perguntas que sabemos fazer delimitam as respostas que conseguimos imaginar. Escolhemos entre possibilidades diferentes, mas apenas entre aquelas que conseguimos reconhecer como possibilidades.
Conhecer mais amplia esse campo. Aquilo que aprendemos modifica as ideias que conseguimos ter ao tornar possíveis perguntas que antes não conseguíamos formular. Cada nova pergunta reorganiza o campo das escolhas seguintes.
No projeto, isso é bastante concreto. Se reconhecemos plantas, pisos, mobiliário e iluminação como matéria de decisão, podemos sofisticar enormemente nossas escolhas dentro dessas categorias. Mas quando aprendemos a perceber também distâncias, relações, transições, graus de abertura e proteção, outras perguntas passam a existir.
O vazio pode ser percebido apenas como o intervalo entre as coisas. Mas pode também entrar no pensamento como campo da experiência: é nele que chegamos, atravessamos, encontramos, permanecemos; é nele que distâncias, limites, aproximações e separações adquirem sentido. Quando isso acontece, o vazio passa a fazer parte daquilo que podemos desejar transformar.
Aprender amplia esse território. Permite reconhecer relações que antes passavam despercebidas, formular perguntas que ainda não sabíamos fazer e imaginar transformações que não estavam disponíveis como possibilidade.
Para pessoas. Com plantas.
Paisagismo não é jardinagem.