Toda experiência acontece em alguém.

Ela se forma na maneira como o mundo nos afeta enquanto o percebemos, interpretamos, atravessamos e vivemos nele.

Esse mundo não chega até nós em partes isoladas. Não encontramos primeiro a cor, depois a planta, depois o som, depois a temperatura. Encontramos uma situação: coisas, espaços, sons, temperaturas, movimentos, pessoas, significados e relações, percebidos por alguém que também carrega memória, expectativas, hábitos, desejos e maneiras próprias de compreender o que encontra.

Uma cor não contém uma experiência. Nem um som, uma textura, uma temperatura, uma forma, uma planta ou um objeto. São, claro, propriedades e condições que participam daquilo que percebemos, mas a experiência não está depositada em nenhuma delas.

A experiência emerge do modo como percebemos aquilo que encontramos. Não apenas no que vemos, mas em como vemos. Não apenas no que ouvimos, mas em como ouvimos. Por isso, os mesmos elementos podem participar de experiências muito diferentes. E elementos inteiramente diversos podem formar configurações percebidas de maneira semelhante. O que importa não está apenas nos quês, mas nos comos.

Uma mesma abertura pode produzir exposição ou proteção, expectativa ou alívio, dependendo daquilo que revela, do que mantém oculto, de onde aparece, de como se aproxima e das relações que estabelece com todo o restante.

Essa diferença muda a maneira de pensar o projeto. Plantas, paredes, pisos, água, luz, mobiliário continuam sendo matéria constituinte dos nossos projetos. Mas nenhuma dessas coisas traz consigo a experiência que pretendemos produzir. Elas adquirem sentido na maneira como são posicionadas, relacionadas, percebidas e vividas.

O projeto tem uma potência particular porque pode propor novas relações entre o mundo e as pessoas. Ao reorganizar distâncias, visibilidades, limites, acessos, matérias, ritmos e possibilidades de ação, interfere nas condições em que alguém poderá se sentir e agir em um lugar: protegido ou exposto, próximo ou distante, seguro ou vulnerável, pertencente ou estrangeiro; disposto a atravessar, encontrar, permanecer ou se afastar.

Nossa maior capacidade de transformação não está nas coisas.

Está na relação.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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