Vazio é projeto.

A gente tem um medo instintivo do vazio.

Quando a gente olha para uma planta baixa ou para um terreno livre, a primeira vontade que dá é preencher. Colocar uma árvore aqui, um banco ali, um canteiro acolá. A gente vai distribuindo plantas, ou objetos, até sentir que o espaço está "resolvido".

Mas preencher é diferente de projetar.

Preencher é só ocupar espaço.

Quando a gente entende o que realmente importa, a lógica se inverte. O nosso trabalho deixa de ser colocar coisas no vazio. E passa a ser desenhar o próprio vazio.

Porque o vazio não é a sobra do projeto.

É onde caminhamos.

É onde olhamos.

É onde nos encontramos.

É onde permanecemos.

É onde a nossa vida acontece.

O vazio nos importa.

É ele que nos permite perceber proporções, reconhecer direções, compreender limites, nos reconhecer no mundo. É a partir das suas formas (sim, o vazio tem forma!), das suas compressões, das suas expansões e das conexões que estabelece com outros vazios que entendemos onde estamos e para onde podemos ir.

A matéria é só seu limite.

A gente monta um canteiro, ergue um muro, planta uma árvore ou posiciona um banco não para ocupar um lugar, mas para dar forma ao vazio que fica entre eles.

A matéria é ferramenta.

O vazio é o projeto.

Para pessoas. Com plantas.

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