O projeto é uma ponte

A gente costuma olhar para o projeto como se ele fosse o destino final.

Como se a planta, o desenho ou o 3D fossem aquilo que estamos tentando produzir.

Como se fosse nossa tarefa profissional principal.

Não é.

O projeto é ferramenta.

Um exercício investigativo.

Um aprendizado sobre o mundo como ele é.

E um sonho lúcido de como ele pode vir a ser.

De um lado existe a realidade.

O lugar.

As pessoas.

Os desejos.

As limitações.

Os conflitos.

As oportunidades.

Do outro existe a intenção.

Aquilo que desejamos construir.

A experiência que queremos favorecer.

A forma como esperamos que aquele espaço seja vivido.

O que acreditamos, o que desejamos, o que escolhemos.

O projeto é conexão.

Ele interpreta.

Avalia.

Hierarquiza.

Media conflitos.

Constrói consensos.

Compatibiliza interesses que nem sempre apontam na mesma direção.

Separa o imprescindível, do desejável, do possível.

E viabiliza.

O projeto não registra decisões.

Ele produz decisões.

Transforma informação em intenção e intenção em espaço.

Por isso projetar não é simplesmente desenhar formas.

É compreender profundamente o que existe, decidir o que importa e construir um caminho coerente entre a realidade encontrada e a realidade desejada.

O projeto é a ponte.

É sensibilidade ao ponto de partida.

É também a escolha do destino.

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

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