O que importa?

Há palavras diante das quais parece difícil discordar.

Aberto. Integrado. Permeável. Acolhedor. Flexível. Conectado. Dinâmico.

Apresentadas isoladamente, elas soam desejáveis, atributos que facilmente gostaríamos de associar aos nossos projetos. Mas vale prestar atenção quando começam a ser tratadas como qualidades em si mesmas.

Aberto para quem? Integrado a quê? Permeável à passagem de quem? Flexível para quais usos? Conectado por quais percursos, entre quais partes e sob quais condições?

No espaço, cada uma dessas palavras só ganha sentido dentro de relações específicas.

Uma abertura importa pelo que revela e pelo que mantém fora de alcance, pela expectativa que estabelece e pelo que prepara adiante. Uma conexão é uma decisão de aproximar certas partes por determinados caminhos — o que é também uma decisão sobre aquilo que permanecerá mais distante.

Ampliar atravessamentos pode facilitar o acesso, mas também fragilizar a proteção de um espaço, dispersar uma permanência ou alterar o sentido de uma separação. Quando o objetivo é flexibilidade máxima, a intenção de servir a tudo pode produzir um espaço indiferente e ilegível.

Uma pausa só existe se puder ser distinguida do movimento que a antecede ou a sucede. O recolhimento se define pela maneira como modula a exposição. Uma revelação depende de algo ter permanecido oculto. A intensidade depende de diferenças de ritmo, escala e atenção.

Cada condição existe e se transforma em relação às outras: conforme sua posição no percurso, sua proximidade ou distância, aquilo que deixa ver, o que protege e as possibilidades que seleciona.

Não projetamos abertura, integração, permeabilidade ou flexibilidade em si mesmas. Projetamos as relações que fazem com que cada uma delas adquira um sentido particular.

São os "comos" que dão sentido aos "quês"..

Para pessoas. Com plantas.

Paisagismo não é jardinagem.

Anterior
Anterior

Sobre querer vazios

Próximo
Próximo

Sequestro Semântico